Resenha: Um Toque de Morte - Luiza Salazar

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                Todos irão morrer algum dia, isso é uma das poucas certezas que podemos ter nessa vida. Mas e se você tivesse o poder da morte em suas mãos? Onde apenas com um toque você pudesse retirar a vida de alguém, o que você faria? Quando sentisse a vida se esvaindo por sua causa, sabendo que é você o culpado, sabendo que tudo que se aproximasse de você estaria destinado a isso? Jamais tocar em nada, jamais poder ter o mundo em suas mãos... você consideraria isso um dom ou uma maldição? Essa é a história que a história de Luiza Salazar publicado pela Editora Draco traz para nós leitores em “Um toque de morte”!



Pode me chamar de Kat. 

Eu daria tudo para ser apenas uma jovem universitária, preocupar-me com os assuntos discutidos nos trens, nos corredores das escolas, nas ruas: qual roupa vestir na festa, qual o futuro da política do país, quem vai ganhar o jogo esta noite. É, você entendeu.
Mas na minha cabeça só há espaço para uma preocupação: quem será a minha próxima vítima.
Eu sou uma Ceifadora. Isso significa que posso matar com um simples toque das mãos, um dom que desejava todos os dias não possuir. Mas quando aqueles dois estranhos apareceram na minha vida e fizeram tudo virar de pernas pro ar, comecei a entender que existem pessoas que fariam de tudo para controlar esse meu poder indesejável. Até mesmo me matar. É até irônico, né?
Um Toque de Morte é um romance fantástico de Luiza Salazar, uma aventura pelas sombras que se escondem nos becos da cidade.
Não se deixar envolver, não se aproximar demais. Essa é a maldição dos Ceifadores, não poder sentir o mundo com a própria pele.



               Katherine Bow ou Kat, como ela gosta de ser chamada, é uma garota normal de 17 anos; ou tão normal quanto alguém que foi abandonado quando pequena pelos pais e tem o dom, ou maldição – como ela mesma prefere chamar – de matar tudo aquilo que ela encosta... Vida legal a dela, não acham? Pois é, mas pode piorar e irá.

Hoje em dia eu sou o que algumas pessoas chamam de Ceifadora. Adorável, certo? Isso basicamente significa que eu posso, não, que eu mato tudo em que encosto. Simples assim. Adeus normalidade.

                Quando a vida não te dá uma escolha, a escolha acaba já estando feita. O famoso ditado que todos tem seu preço nunca esteve tão certo, principalmente quando você está no Noturno – um famoso bar onde você encontrará a solução de seus problemas se estiver disposto a pagar pelo preço certo. Os métodos? Todos que você imaginar, de um jeito bom ou ruim. Para sobreviver Kat virou uma mercenária, uma assassinada em troca do valor certo, mas matar alguém vinha com um preço alto ultimamente, a cada morte uma dor nova aparece e ela já não sabe mais o que fazer...

“Essa ideia sempre me assustou mais do que a morte. A morte eu consigo aceitar. É a vida morta que me assusta.”
 
Em toda a sua vida ela jamais teve um namorado – por motivos óbvios – ou muitos amigos, alias, ela só tem uma amiga, Rebecca ou Beks, que coincidente é sua colega de apartamento (o que ela tem certeza que fez só para desafiar os pais que a controlam a vida toda) e que desconhece o seu segredo mais obscuro – ou isso é o que a autora nos quer fazer pensar.

Mas o problema com isso é obvio.
Eu estou na vida dela.
E eu sou a morte. 
Sendo sempre exemplar em ser invisível ou tão invisível quanto conseguiria sendo a esquisita que não deixa ninguém encostar-se às mãos todas tatuadas, um presente advindo de seu dom, ela não esperava que dois estranhos fossem chegar para bagunçar e deixar ainda mais confusa a sua vida (sim, sempre é possível piorar).

                Cada um representa um lado, uma escolha que ela precisa tomar. Mas quando os dois lados aparentam querer te usar e estão dispostos até a matar por isso, qual lado Kat deveria escolher confiar? Uma das poucas coisas que ela aprendeu com a vida sempre solitária foi a não confiar em ninguém, mas até que ponto ela pode sobreviver sozinha agora?

Ter o controle sobre a morte é uma responsabilidade enorme e você vai passar o resto da sua vida tendo que tomar cuidado com as pessoas que vão querer te usar, não importa qual lado você escolha.
                Kat é uma personagem extremamente sarcástica, irônica e divertida. A autora Luiza Salazar conseguiu trazer o toque certo de mistério, mostrando o pior e o melhor das pessoas de uma forma totalmente instigante e que prende o leitor até a última página. Aos  apaixonados  por romance sinto desapontar dizendo que não está presente de forma ampla na história, tem apenas alguns momentos que podem ser considerados dessa forma, mas em momento algum é o foco. Em síntese, a história é ótima e merecedora de sucesso, mal posso esperar para conferir a continuação e o que está por vir. 

Leiam, porque definitivamente é uma excelente obra pra um fim de semana ou um momento de descanso!


Um beijo

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