Resenha: As coisas não são bem assim - Renata R. Corrêa

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                O livro de hoje é um que me emocionou e me fez notar as coisas de forma diferente depois da leitura. Com um enredo composto por perdas e aprendizados, iremos acompanhar a história de dois corações partidos que juntos irão mostrar que mesmo diante das piores coisas e situações há sempre a chance de recomeçar. Escrito pela autora Renata R. Corrêa, As coisas não são bem assim, é uma obra que transforma através da escrita e inspira através de personagens fortes e inocentes. Com maestria, a autora nos enreda em sua trama de forma que nos resta apenas continuar avidamente a leitura torcendo para haver um final feliz... Fé, amor e perdão caminham lado a lado ao longo de 133 páginas que irão tocar o seu coração através de uma das mais belas histórias de amor. Confiram:



Clarice, uma jovem estudante de medicina, perde seu namorado, que acreditava ser o grande amor da sua vida, às vésperas de formatura, após sofrerem um grave acidente de carro. Morre com Guilherme um pouco da alegria de viver de Clarice, da sua esperança e do seu futuro. Depois de mais de um ano do falecimento de seu amado, o destino coloca na vida de Clarice, Henrique, um jovem advogado viúvo e pai de Duda, uma menininha loira, muito esperta e amorosa. Envolvidos por um sentimento sincero, terão que enfrentar grandes dificuldades e um sofrimento inesperado. É uma bonita e delicada história sobre recomeço, fé, esperança e sobre o poder do amor.

Informações técnicas:
Obra:  As coisas não são bem assim Autor(a):  Renata R. Corrêa Páginas: 136 Ano de Lançamento: 2017 Cortesia:  Editora Pandorga Avaliação: 5/5 estrelas Onde comprar: Amazon Saraiva


"Existem coisas na vida que não precisamos saber. Existem coisas que não precisamos dizer ou perguntar, basta senti-las."

Guilherme e Clarice são perfeitos um para o outro; juntos há cinco anos, sua felicidade é algo nítido a todos que conviviam com eles. Estudantes da mesma sala de medicina, eles logo se viram apaixonados e construindo uma relação que eles acreditavam que seria para sempre. No entanto, em uma viagem com outro casal de amigos ao estarem prestes a se formarem, um terrível acidente acontece levando de sua vida o seu grande amor – Guilherme. Com ferimentos leves, assim como o casal que os acompanhavam, Clarice viu sua vida mudar completamente ao perder Guilherme  que veio a falecer.

“(...) posso dizer que eu o teria namorado por toda a minha vida, mas, como costumo falar, “na vida nem sempre as coisas são assim...”.”

Um ano depois de sua morte, ela ainda se encontra sem chão e inconformada com o que aconteceu. Já formada e exercendo a função de medica plantonista, Clarice, vê no trabalho uma fuga da dor que a oprime e a sufoca todos os dias; mergulhada no trabalho, ela passa os dias ligada ao máximo de plantões que consegue para preencher o vazio que nem mesmo seus pais ou amigos foram capazes de suprir.  Algo que apesar dela saber não ser nada saudável, foi à única forma que encontrou para continuar a sua vida e o que restou de si depois de perder quem sempre trouxe alegria a sua vida – e consequentemente uma parte de si.

“A vida é feita de sonhos, mas nem sempre eles se realizam... O que fazer quando de repente você se dá conta de que o tempo está passando e que a vida não é exatamente do jeito que a vida não é exatamente do jeito que você esperava que ela fosse?”

Distraída e sem a menor perspectiva de encontrar um novo recomeço, ela vê sua vida começar a se transformar ao cruzar com Duda – uma garotinha linda e simpática – em um supermercado. Surpreendendo-se com a sinceridade e com a dor que mesmo tão jovem essa menina já carrega consigo - ao declarar a morte de sua mãe com uma naturalidade que surpreende -, Clarice se vê criando um grande laço com ela o que acaba levando a um contato inesperado com Henrique  - o pai de Duda.

“O meu pai está ali, e a minha mãe está no céu. Ela é uma estrelinha brilhante.”

Com o destino insistindo em cruzar seus caminhos, Clarice se vê cercada de dúvidas ao se deparar com a intensa atração existente entre ela e o Henrique. Tão machucado quanto ela, ele é alguém que luta com a dor de ter perdido alguém tão cedo para uma terrível doença; no entanto, mesmo com seu coração ferido e com medo, algo insiste em aproxima-los... Determinados a tentarem mesmo assustados com o que isso possa vir a significar, ambos terão que lidar com os fantasmas de seu passado e as feridas abertas de seus corações, além de muitos obstáculos que virão a surgir em seus caminhos. Estará Clarice preparada para entregar-se ao amor e dar uma segunda chance para à vida?  

“Não estou procurando as coisas mais simples da vida! Querer me encontrar com você já diz tudo. Somos dois sobreviventes de tragédias da vida, isso poderia ser simples? Ou ao menos será que isso poderia dar certo?”

As coisas não são bem assim é uma obra que pode ser definida bem através de uma palavra: transformador. Lidando com assuntos pesados e difíceis, essa poderia ser uma história fácil de perder o rumo na hora de sua elaboração; no entanto, muito bem construída somos surpreendidos ao nos deparar com uma história rápida, leve e com profundos ensinamentos sobre fins, recomeços e sobre chances que a vida oferece. Através de personagens complexos e reais nos deparamos com situações que mexem com nosso emocional e que criam uma empatia no leitor que se vê diante de histórias repletas de dor e sofrimento. Mostrando um lado mais dramático, essa é uma obra que surpreende aqueles que estavam acostumados com o lado sempre romântico e cercados de bons momentos; intenso e fascinante, essa é uma leitura quase obrigatória a todos aqueles que acreditam no amor e em segundas chances – e é apaixonante em cada uma delas.


Henrique é um personagem que temos prazer em acompanhar e descobrir mais; formado por inseguranças, medo e muito amor, ele é alguém extremamente real e que encanta com sua personalidade e seu jeito de ser – principalmente seu lado romântico.  Viúvo e com uma filha nova para criar, ele é um homem que se mostra muito maduro, além de ser um pai exemplar.  A cada cena fica nítido o seu carinho com Duda, que se mostra uma menina sábia apesar de muito jovem desde nosso primeiro contato com ela.  Responsável por momentos emocionantes, Renata, soube utiliza-la para trazer o toque de leveza necessário para não deixar a história seguir por caminhos tristes ou dramáticos ao extremo, sem o qual a obra não estaria completa.

Clarice é uma jovem que sofre muito e se vê completamente sem rumo ao perder aquele que sempre esteve ao seu lado e que veio a se tornar seu mundo. Determinada e trabalhadora, ela passa os seus dias focada em continuar a viver quando um pouco da alegria e felicidade que existia em si já não a acompanha mais. Compartilhando conosco suas lembranças de Guilherme, ela nos situa sobre o que aconteceu antes de sua vida sofrer esse duro golpe fazendo passado e presente se unirem e criarem um clima de incertezas e apreensão no leitor. Sua relação com Henrique ocorre de forma gradual; regada por momentos românticos e dramáticos, acompanhamos uma união e companheirismo sendo formados, onde o amor é algo que os assustam, na mesma intensidade em que os curam de feridas que o passado deixou.

Composto por altos e baixos, acompanhamos os personagens em suas lutas pessoais sobre o que não conhecem ou não se sentem pronto a experimentarem. Seus crescimentos durante a história fazem com que o leitor se abale e se emocione ao vê-los lutarem por aquilo que amam e pela chance de ser feliz. Muito bem escritos, em nenhum momento nos é passado à impressão que algo está fora do lugar ou que os personagens secundários estão ali apenas para preencherem buracos. Complexos e reais, somos envolvidos e levados a considerar eles como amigos e a torcer por seus finais felizes em uma história rápida, mas deliciosa a cada página.

                Alternando entre passado e presente somos convidados a acompanhar histórias de amor e de dor cheia de intensidade; seu começo intenso faz com que sentimentos de incerteza surjam no leitor que se vê sem saber o que irá acontecer, mas torcendo para que o melhor possa vir a acontecer... Sua narrativa em primeira pessoa faz com que nos envolvamos e possamos conhecer melhor seus personagens, permitindo uma aproximação e o surgimento de um sentimento de empatia que apenas esse estilo de narrativa é capaz. A troca de perspectiva também é algo que agrada ao leitor ao ser feita de forma a não deixar pesada a história mesmo com a constante presença de sentimentos de perda e anseios.  


Em uma edição caprichada que encanta com sua diagramação e uma revisão muito bem feita onde erros não foram percebidos por mim, essa é uma obra completa desde sua escrita até sua produção. Disponível apenas na versão física, essa é uma obra cuja capa reflete muito acerca da história e de sua protagonista e combina perfeitamente acrescento o toque romântico e reflexivo da obra! Feito com esmero pela Pandorga Editora, esse é um livro que conta com um bom tamanho de letra e páginas levemente amareladas que tornam sua leitura confortável e agradável. Seu número reduzido de páginas fazem com que ela seja ideal para uma leitura em poucas horas; sem falar que ela é ideal para aqueles que buscam uma leitura leve, mas profunda, e que ajudem nas típicas ressacas literárias existentes por ai!

Característico das obras escritas pela Renata, somos levados a acompanhar mais uma de suas histórias que segue em um ritmo intenso, onde ela não se prende em cenas longas e que nos envolve de forma a sentirmos que estamos vivendo juntos com os personagens. Seu tamanho reduzido também poderia ser algo que muitos considerariam pouco para uma história completa, mas acostumada a dosar cenas e emoções na medida certa, não deixando lacunas ou falhas em seu enredo.  Escrito com o coração, é nítida a presença da autora em cada detalhe e em sua construção. Muito bem colocado, somos apresentados a uma história rápida sem ser corrida e com cenas na medida certa. Cheio de emoção, esse é um livro que transforma durante a leitura e emociona a cada capítulo.


Falando sobre perdas, amores e recomeço, essa é uma obra que nos inspira e nos leva a refletir sobre o quão passageiro a vida pode ser. É uma história sobre arrependimentos e segundas chances, é sobre se entregar a alguém mesmo com medo, é sobre se machucar e se permitir recomeçar, é realmente sobre aprender que não temos controle de nada e que muitas vezes as coisas não são bem assim como pensamos que elas serão.  Prepare-se para ter seu coração tocado e envolvido em uma obra que vai mudar a forma como você passará a ver o amor e sua força. Mais do que recomendado, essa é uma obra para se levar para vida e aproveitar cada momento! Leiam, porque vale – e muito – a pena!


Um beijo

16 comentários:

  1. Olá.
    Não conhecia o livro, mas fiquei interessada.
    Parece ser uma leitura muito emocionante e que traz uma grande reflexão sobre a vida e os sentimentos em que nos vemos envolvidos, no decorrer dos momentos.
    Ótima indicação. Espero ter a oportunidade de conferir.
    Linda resenha e fotos.
    Beijos.

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  2. Que coisa mais linda deste mundo, meu Deus! Muito obrigada pela resenha linda e emocionante. Você me arrancou lágrimas de felicidade! Obrigada pelo carinho e pelo apoio! sucesso em tudo que fizer, querida!

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  3. Parece ser uma história bem bonita e forte pelas perdas desses personagens. Eles passam por coisas muito ruins mas é bonito ver que ainda existe esperança para os dois, que o amor pode ajudar a curá-los e que pra tudo há uma segunda chance nessa vida. É bonito pensar assim. Parece um livro que deixa bons sentimentos, que mostra um romance mas também a força que as pessoas tem que ter pra continuar em frente e seguir com a vida da melhor maneira possível, porque mesmo com tudo de ruim que acontece ainda existem coisas boas por vir. Gostei dessas coisas nele. Parece ser uma leitura que vale a pena por isso ^^

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  4. Que história mais linda! Amo livros de dramas diferentes e esse é legal, pois os dois se encontram e veem que precisam um do outro para se apoiar e seguir para o futuro.
    Quero ler logo, deve deixar várias mensagens sobre a vida que devemos aprender.

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  5. Adorei a história,parece ser bem linda e reflexiva.
    Não conhecia a autora, mas acho bem legal ela conseguir mexer com o leitor dessa forma em tão poucas páginas.
    A trama parece mostrar que mesmo quando se sente perdida, sempre haverá algo que nos faça acreditar novamente.

    Beijinhos
    She is a Bookaholic

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  6. Oi!
    Gosto demais de romances onde os protagonistas já tiveram sua cota de sofrimento e depois acabam encontrando o amor, é lindo demais, ainda mais quando o romance é construído aos poucos e tem criança para ajudar no envolvimento do casal.
    Sem contar que gosto demais quando tem passado e presente, porque torna o enredo mais abrangente e podemos entender todas as motivações.
    Gostaria de ler.
    Desejo um mês repleto de realizações e um ótimo final de semana!
    “A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa.” (Zíbia Gasparetto)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  7. Gosto de livros que me fazem refletir, que bom que este livro é transformador.
    Após ler sua resenha não tive como não ter adicionado este livro em minha lista de leituras, que bom que é uma leitura quase obrigatória para quem acredita no amor, como gosto de livros de romance, e do estilo deste livro, adicionei As coisas não são bem assim em minha lista de leituras.

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  8. Olá, a autora faz com que a trama esteja lotada de sentimentos mesmo com o número bem limitado de páginas, tenho certeza de que vou chorar quando ler. Beijos.

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  9. Oi.
    Que temática mais linda, adoro livros assim que no final de tudo nos fazem refletir, a premissa é incrível e meu coração já esta doendo pela mocinha, mas enfim adoro que tem esse amor que restaura, não vejo a hora de ler.
    Bjs.

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  10. Gosto de estórias de amor como esta, que nos mostra que e através deste sentimento podemos superar dores que nunca imaginamos conseguir curar, como a da perda, vejo que ambos vão juntos lutar através de altos e baixos, para que consigam juntos passar por cima das barreiras impostas pela vida. Acredito que esta superação não será fácil, e isto vai desperta no leitor um envolvimento emocional junto com os problemas passados dos personagens. Vejo que a autora conseguiu construir uma narrativa envolvente, intercalando passado e presente para podemos entender melhor toda a situação.

    Participe do TOP COMENTARISTA de AGOSTO, para participar e concorrer Ao livro "Dois Mundos", o primeiro da série "Tesouros da Tribo de Dana" da escritora Simone O. Marques, publicado numa edição linda pela Butterfly Editora.
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  11. Olá.
    Achei a trama bem interessante! Os romances nem sempre são cor-de-rosa, sempre há altos e baixos e acho que a autora retratou bem um romance mais verídico.
    Gosto bastante quando a narrativa é intercalada entre passado e presente. Acho que é um recurso que nos mostra o porquê da situação estar do jeito que está.
    Ainda não li nada da autora, mas depois dessa resenha vou procurar as suas obras rs
    Achei a capa bem bonita!
    Bjs

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  12. Olá!
    Que história linda esse livro tem. Realmente é uma leitura que promete um turbilhão de emoções! E a capa é muito meiga. "As coisas não são bem assim" é um livro para refletirmos que a vida não é um conto de fadas e o quão difícil é enfrentar a morte de uma pessoa amada. Adorei, beijos.

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  13. Oi. Não conhecia esse livro, mas me interessei pela história. Gosto de livros que falam de perdas e superação, livros que quando lemos tiramos alguns aprendizado, esse livro me parece bem emocionante. Já coloquei na minha lista de desejados. Gostei muito da sua resenha, bjs.

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  14. Não conhecia o livro, mas ele parece ser muito amorzinho, adoro livros que nos fazem pensar na vida, acho que temos uma só vida e que temos que vivê-la ao máximo, devemos sentir tudo, luto, amor, raiva, felicidade e todos os sentimentos, mas nunca deixar que ele nos dominem, acho que As coisas não são bem assim seria um ótimo livro para um domingo à tarde.
    Beijos!

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  15. Oi Brooke,
    Gosto bastante dessa temática de perda, mesmo já sendo um clichê de tanto que eu já li. Principalmente quando tem criança, sempre tem alguma cena fofa.
    Fiquei receosa quanto ao número de páginas porque não gosto de nada corrido, que bom que isso não acontece.
    Eu estou de ressaca, mas acho forte esse tipo de leitura, já que eu fiquei assim por causa de um livro que eu chorei demais.

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  16. Olá ;)
    Conhecia o livro só de vista, mas não sabia sobre o que era a história e nem que era de uma autora nacional.
    Gosto de livros que abordam assuntos pesados e difíceis, portanto só por isso já me interessei em ler. Deve ser muito difícil perder um amor grande assim, ainda mais no "começo" da vida.
    Gostei de a narrativa ser em primeira pessoa, e de haver essa alternância de pontos de vista.
    A história da Clarice e do Henrique parece ser linda, estou ansiosa para ler e me apaixonar *-*
    Bjos

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